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declaque
Às vezes, Escrever é brincadeira de criança Requebrar no banbolê Pular corda Assopar bolinha de sabão Às vezes, também, é entrar no trem fantasma.
Escrito por Fernanda Pompeu às 11h03
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isto e aquilo
Entre o fato e a imaginação. Separá-los é bobagem. Na escrita, tudo vem junto. Não existe fantasia fora do mundo. Não existe mundo sem fantasia.
Escrito por Fernanda Pompeu às 17h34
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sem garantia
Às vezes, pergunto a mim mesma por que escrevo? Por que, nessa altura da vida, insisto em pôr as palavras para trabalharem? É claro que há um movimento desafiador nesse ofício. A sensação de primeira vez que se renova a cada começo de texto. Mil bons textos, já escritos, não garantem a qualidade do próximo. Fascinante e dramático ao mesmo tempo.
Escrito por Fernanda Pompeu às 17h40
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Espíritos
O substantivo está para o mar, como a lagoa está para o adjetivo. Um texto sem adjetivos tem a expressividade de uma foto preto e branco. Mas o mundo é colorido. O desafio não é expurgar os adjetivos; é usá-los com pertinência. Utilizar ferramentas da língua com propriedade é metade do caminho da escrita. A outra metade é segredo.
Escrito por Fernanda Pompeu às 12h13
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bumerangue
De repente, um texto escrito agora é devedor de textos redigidos antes. De repente, o texto escrito hoje é a pista para o texto futuro. O que quero dizer é que tudo está conectado. Há uma continuidade no exercício da escrita. Na maior parte das vezes, não percebemos a liga. Mas ela está presente. As coisas existem mesmo quando não conseguimos enxergá-las bem.
Escrito por Fernanda Pompeu às 18h03
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Como uma onda
Blogs são matérias vivas. O que diferencia o vivo do morto é, fundamentalmente, o movimento. O que vive se mexe, para a frente e para trás; para cima e para baixo; para os lados. A intenção primeira do Capim Letrado é refletir sobre a escrita. Sem pretensão acadêmica, sem mergulhos intimistas. A proposta é pensar a escrita do dia a dia. Conseguirei?
Escrito por Fernanda Pompeu às 19h38
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O que é, o que é?
Minha mesa o que é? barco carregado de palavras. Palavras para onde vão? para o porto. Porto o que é? frases procurando o oceano. Oceano é o quê? textos navegando leitores. Leitores o que são?
Escrito por Fernanda Pompeu às 21h57
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profissão de fé
Não é possível escrever textos sempre brilhantes, mas é possível escrevê-los sempre redondos.
Escrito por Fernanda Pompeu às 16h33
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Oriente
Ando escrevendo tão curto. Desconfio que, se escrevesse em japonês, estaria fazando um sucesso danado nos celulares dos adolescentes de olhinhos puxados. Aproveito para convidá-los a dar uma espiada no Só aos domingos: http://www.fernandapompeu.zip.net
Escrito por Fernanda Pompeu às 11h02
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13 de maio
Escrava escrevo Escrevo escrava O quilombo é o texto Ser lida, a lei áurea
Escrito por Fernanda Pompeu às 18h05
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Na garupa
Mergulho no Grande Sertão Veredas. Por que neste momento de vida? Bem, fará sentido mais para frente. Na vida, tal como na literatura, a gente faz ou narra alguma coisa cujo sentido está mais adiante. Como insiste o próprio Guimarães Rosa: o tempo todo é travessia. Os portos de partida e de chegada são detalhes. O que conta é o durante.
Escrito por Fernanda Pompeu às 14h23
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Furor de escrita
Criei mais um blog Só aos domigos. A proposta: histórias de domingos. O registro: ficções. A autalização: aos domingos. O jeitão: textos curtos; do jeito que sei e gosto. A estreia: 17 de maio de 2009. O convite: queridos leitores do Capim Letrado deem uma domingada no http://fernandapompeu.zip.net/
Escrito por Fernanda Pompeu às 15h46
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Quando não dá
Muitas ações, na nossa existência, podem ser automáticas: passar na catraca do metropolitano; consumir cafezinhos; dizer bom dia para a caixa da drogaria; acessar o banco eletrônico; comer feijão no quilo etc, etc, etc. Porém outras ações, muitas também, são inexequíveis no piloto automático: amar; responsabilizar-se; ouvir Haendel; escrever. Diga-se: escrever é uma ação (a quem afirme que é uma reação) cheia de dramas. O drama de encontrar a forma que corresponda à ideia; o drama de chegar ao leitor; o drama de prestar um serviço (de qualidade) a si mesmo e ao outro. Mas o maior drama de escrever é quando não cremos no tema. Aí não tem musa inspiradora, nem trabalho redentor. Em três verbos: escrever é acreditar.
Escrito por Fernanda Pompeu às 10h21
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Quartos
Um espaço de trabalho também se desenha. Gostaria de ter fotografado os vários quartos que habitei. Cada um representou um momento de vida e uma fase de trabalho. Exitiram os quartos da romancista, da roteirista, da oficineira, da editora, da redatora, da jornalista. O atual, na rua Sagarana, acompanha meu rebuliço. Acompanha a mudança de rumo em que remo. Minha mesa de trabalho é o barquinho cada vez mais próximo do oceano desejado: a literatura.
Escrito por Fernanda Pompeu às 09h23
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Ser é ser
Ser uma escritora - além do trabalho diário com as palavras (nossas e dos outros), além da transformação de emoções em frases, além de todas as técnicas - é um estado de urgência. Ser uma escritora é estar disponível aos estímulos do mundo.
Escrito por Fernanda Pompeu às 11h10
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